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Estar em processo de psicoterapia requer coragem. Nele, duas pessoas se dispõem a ficar frente a frente para se conhecerem, e assim, iniciarem um longo caminho de encontros e desencontros.

É importante ressaltar que, nesse processo, o falar é a principal forma de expressão do sofrimento psíquico. A cada fala, o paciente busca sua verdade, ou seja, a experiência emocional de contato consigo mesmo em seus desejos, seus ódios e suas angústias.

Muitas vezes, as pessoas acreditam que a psicoterapia será apenas fonte de um alívio imediato para suas dores emergenciais e, desse modo, tudo ficará rapidamente organizado, como uma espécie de cura milagrosa.

Alguns chamam tal desejo de Furor Curandis, o desejo excessivo pela cura. Mas, na prática clínica, em cada sessão, em cada encontro, a principal bússola para o paciente e para o terapeuta é, sem dúvida, a angústia. Por meio dela, emergem todos os afetos e as turbulências emocionais que movem o sofrimento do paciente. O terapeuta, atento e empático, acolhe, escuta e auxilia.

Nessa etapa do processo terapêutico, a frustração representa um sentimento muito específico e essencial ao tratamento. Os angustiados, principalmente ao falarem de questões mais profundas, acionam mecanismos de defesas muito poderosos.

Esses mecanismos muitas vezes emergem inconscientemente e têm a função de impedir que, por meio da fala, o indivíduo continue a se frustrar diante de tanto mal estar. É comum o pensamento de que nada irá evoluir no tratamento e, que na verdade, o paciente está preso em um ciclo em que repete os mesmos problemas sem uma “solução eficaz”.

A frustração pode ser considerada o lado negativo de uma expectativa de satisfação, de resolução da angústia. Enquanto buscamos a realização dos desejos por meio de uma felicidade idealizada, desprezamos os efeitos benéficos da frustração.

Como diria o filósofo Luiz Felipe Pondé, “Confundimos a ideia de que sofrer é ruim com a ideia de que eliminar o sofrimento é saudável. O resultado é que o amadurecimento, filho direto da dor, da frustração e da tristeza, desaparece”.

Assim, a psicoterapia é um processo cujo principal objetivo é fazer com que o paciente busque seu ponto de amadurecimento psíquico e seja capaz de lidar, com sabedoria, com suas dores, angústias e frustrações, e faça isso sem evitá-las, justificá-las ou, até mesmo, sacrificá-las.


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Na atualidade, a dimensão do sofrimento psíquico vem ganhando importância no nosso cotidiano. As diversas formas de sofrer têm relação com o sujeito e seu corpo. É sabido que o corpo e psique se entrecruzam. Nosso corpo acusa o golpe de uma dor e a psique consequentemente reage com nossas angústias impensáveis, ocasionando, assim, vários tipos de sintomas somáticos.

Quando Freud formula seu conceito de ego em meados de 1923, a função do corpo e dos seus limites e contornos ganha fundamental importância. Segundo ele, ego é, acima de tudo, um ego corporal. O sofrimento psíquico representa, sob essa ótica, um processo de desorganização de nossas principais funções: pensamento, afeto, percepção, memória etc.

Tal desorganização tem um DNA próprio: apresenta uma dinâmica que se baseia nas condições constitutivas de cada sujeito, ou seja, cada um desenvolve seu “contrato” com o sofrimento conforme sua história de vida. O que isso significa? Significa que, por trás de todos os sintomas que conhecemos (fobias, depressões etc.), existe um sujeito que não consegue compreender o sentido de todo o padecer. A ausência de compreensão, a dificuldade de pensar a esse respeito e as confusões emocionais formam uma teia rígida na qual ele se prende.

É sabido clinicamente que buscar a compreensão e o sentido do sofrimento requer do sujeito esforço e gasto de energia. Contudo, a experiência corporal é fundamental para concebermos um fundamento de sentido para nossas angústias. Isso significa que, para conhecermos melhor nosso sofrimento, é importante também entender cada experiência sentida pelo nosso corpo, o que o corpo pode traduzir por meio das dores, alívios, tremores, chaqualhões.

Lembre-se sempre de que sua voz precisa ecoar e ser percebida (e intuitivamente sentida) como parte integrante de um processo de busca de sentido para a vida.

Prof. Dr. Rodrigo Otávio Fonseca


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